MEU PAI É UM ABUTRE!
Meu pai sempre foi um cara sério. Militar há mais de trinta anos, mandão, e ainda por cima super protetor. Claro que ele já é aposentado, e na minha opnião ele devia ter se aposentado quando tivesse sido promovido a Capitão, mas tudo bem. Subtenente Reginaldo também é uma boa. Em toda minha curta vida nunca desconfiei de nada. Ele sempre na dele, fazendo suas piadas e assobiando as músicas internacionais com maestria. Nunca passou nada disso pela minha cabeça. Até agora. Era de noite. Acabava de chegar mais cedo do trampo e estava muito cansada. Joguei as coisas em cima da cama e fui verificar as novidades no meu computador. É puro vício, posso estar sangrando ou morrendo que a primeira coisa que faço quando chego em casa é ligar o computador. Pois bem, fui procurar meu pai pois precisava falar urgentemente com ele. Precisava de um trocado. Não o achei. Ué, onde o "Zé" poderia estar? Acabei deixando pra lá e imaginei que ele tinha saído somente pra andar de bicicleta ou comprar pão, whatever. Tomei meu banho, comi alguma coisa e fui para o pc. Estava um tédio. Galera all night não estava on e não tinha nada de novo pra ver. Decidi ir passar roupa. É, foi algo do nada mesmo. Como minha mãe já me enxera o saco pra fazer isso mais cedo fui adiantar as coisas para a velha não me importunar mais. Após terminar, separo as roupas do meu pai e vou guardá-las no guarda-roupa. Coloco-as no cabide com pouca vontade, e de repente vejo algo estranho. No meio daquelas roupas observo uma jaqueta de couro legítimo. "Meu Deus, o que essa jaqueta faz aqui?" Pensei. Mas o pior estava por vir. Ao virar a jaqueta percebo um símbolo atrás dela, que só pude perceber o que era após acender a luz do quarto: Era um símbolo dos Abutres! Fiquei em estado de choque, mas mal pude acreditar. Fiquei super empolgada com aquilo, mas depois pensei: "Se meu pai é integrante dos Abutres, onde está a sua moto?" Como num déja vu eu raciocinei "Será que todas essas saídas que ele dá ele sai com ela? Mas como nunca a vi aqui em casa? Deve ter um esconderijo secreto". A partir deste momento comecei a fuçar a casa inteira. Procurei no quarto lá de fora, na casinha do cachorro, no banheiro, até no terraço e nada! Comecei a ficar frustrada. Onde será que estava aquela maldita moto? Do nada observo um clarão vindo do lado de fora e o barulho do portão se abrindo, de quebra estava uma música muito alta do Pink Floyd tocando. Pensei "Meu pai acha que ainda não estou em casa", e fui correndo me esconder para ver o que ocorria. Era ele chegando numa Harley Davidson preta com adesivos de fogo em tons vermelho e laranja dos lados, e embutido havia seu famoso e inseparável radinho. Meus olhos não acreditavam no que estavam vendo, uma parte do chão da varanda estendeu-se e só pude ver meu pai entrando dentro desse buraco com a moto. Fui correndo para ver se o alcançava mas já era tarde demais, o buraco havia se fechado e já estava como antes. "Será que eu sonhei? Será que eu estou vendo coisas?" Só podia ser. Voltei para dentro casa ainda encucada com aquilo, até que vi meu pai chegando pela porta como se nada tivesse acontecido, porém ele estava usando a fatídica jaqueta. "PAI, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?" "Oh, minha filha. VOCÊ ESTÁ AÍ?" Ele ficou pálido, e se mostrava um tanto sem graça por eu tê-lo visto daquele jeito. "Eu acabei de ver uma cena bizarra, era isso mesmo? E que jaqueta é essa? Pai, há quanto tempo você pertence aos Abutres? E minha mãe sabe disso?" "Ei, vamos com calma com as perguntas. Eu vou te explicar tudo". Nisso foram mais de trinta minutos com ele me explicando como se tornara um Abutre. Resumindo, ele já era um deles desde que era jovem, bem antes de conhecer a minha mãe e de se mudar pra cá. E ela não sabe de nada, e esse segredo agora pertence à mim. Disse pra ele que achava isso o máximo, e sempre pensava que ele escondia alguma coisa, mas não isso. E ah, ele vai ter que me emprestar a Harley Davidson dele um dia, risos. Obs: Historinha fictícia que inventei anos atrás.



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